Singularidades
Criaturas
A poética da obra é desenvolvida em torno da emergência da vida a partir de elementos mais simples. O som de base, constante e grave ao fundo, cria um contraste com a delicadeza dos movimentos das criaturas. O espaço é preenchido pelo som, que remete a profundezas oceânicas e uma sensação de estar submerso na água. Sobre a base sonora, ruídos emitidos pelas criaturas podem ser ouvidos. São texturas granulares de inspiração aquática, lembrando pequenos estalos de organismos marinhos (crustáceos, camarão). Esses sons individuais intensificam-se e alteram o panorama estéreo conforme a atividade e a posição de cada criatura na tela. Ao evoluírem, ganhando novos nós e arestas, as criaturas também emitem um novo ruído, breve e visceral, remetendo uma transformação. Essa composição sonora em camadas, sincronizada com os movimentos e atividades das criaturas, conferem uma ambiência sensorial que amplifica a percepção de vida e autonomia das criaturas. O resultado dessa convergência visual e sonora é uma experiência estética imersiva, na qual o público percebe um sistema coeso e orgânico.